A voz dos cachos: Ela venceu a transição

julho 08, 2015

Não é de hoje que venho trocando ideias com minhas amigas e meninas de todo o Brasil sobre a transição capilar, seus desafios e possibilidades. E desses debates capilares nasceu um desejo de dar espaço à voz das mulheres cacheadas e crespas que venceram a transição ou estão passando por ela. "A voz dos cachos" vai trazer para vocês uma série de entrevistas com mulheres poderosas que decidiram mudar suas vidas em busca de suas identidades, origens e fortalecimento da autoestima.
É a chance que temos de compartilhar as experiências pessoais desse processo de luta e descobertas.
Sejam bem vindas e fiquem com o relato da primeira lindeza: Atynaíra.

Qual seu nome, idade e profissão?
Atynaíra Santos Gonçalves, 30, Assistente Social.
Você começou a usar química no cabelo com quantos anos e qual foi o motivo? 
Não sei com exatidão a idade que tinha quando comecei a usar química no cabelo. Fazendo uma breve retrospectiva e juntando alguns fatos, deveria ter em torno de 9 a 10 anos.
O motivo era que meu cabelo era “indomável”. Abro aspas porque eram palavras da minha família.
Uma história engraçada que sei sobre o meu cabelo é que ele era bom e aí certa vez minha mãe me levou para cortar o cabelo e que depois desse corte o cabelo endureceu, ou seja, a mão da cabelereira não prestou... rsrsrs.
Você passou pela transição? Quantos meses tem de BC (big chop= corte de toda química)? 
Sim, durante 1 ano e 4 meses passei período de transição. Nesta fase contei com a ajuda do mega fácil ( mega hair que é usado com Tic Tac), até criar a coragem de fazer o B.C. Atualmente tenho 3 meses de BC.
E como foi seu processo?  Qual a razão de ter começado a transição?
Sempre admirei cabelos cacheados. Era o tipo de cabelo que me chamava atenção. Minhas primeiras químicas tiveram o intuito de baixar volume e com isso permitir usar cabelos soltos (isso ainda criança). 
Na continuidade meu cabelo foi ficando muito vazio e não definia mais os cachos, daí comecei a fazer permanente e a mesma coisa acontecia e cada vez mais ele foi perdendo volume e definição. Ainda na adolescência, morria de vontade de usar tranças afros, achava lindas! Porém não tinha o incentivo da minha mãe ou família e isso não me encorajava. Foi quando estava cursando Serviço Social que consegui realizar meu sonho de usar as trancinhas e fui bem feliz nessa época com o meu visual e minha identidade. Passei 8 meses com as tranças e quando tirei o cabelo tinha uma boa parte virgem (pena que naquela época não se falava em BC, seria uma boa oportunidade!). E o que fiz!? Química de novo! Naquela época não imaginava, em nenhuma hipótese, poder viver sem a química. E a história se repetiu... perdendo volume e definição.
Não era feliz com o meu cabelo, a situação estava cada vez pior. Nessa fase já estava me formando e precisava manter o cabelo “arrumado e com boa aparência, afinal já era uma profissional inserida no mercado de trabalho”. E assim começou a minha escravidão da escovinha, pranchinha, progressiva, selante, mega hair...tudo que prometesse alisar este bendito cabelo e com tudo isso, ainda não era satisfeita e feliz. 
Não sou mulher que gosta de passar horas em salão e ainda mais em pleno sábado de sol... e essa era a minha triste rotina, sem contar as idas a praia sem poder dar um mergulho.  E a academia(!?)  que acabava com a escova... geeente era muita coisa!
Pensava: se nova não estou suportando isso, como será quando estiver velha! (entendam o uso dos termos nova e velha com todo bom sentido) Não é isso que quero para a minha vida! Não me representa!
Assim, aos 27 anos tomei a decisão de dar o primeiro passo, resolvi que iria usar um mega hair para esperar o cabelo crescer e tirar toda a progressiva e voltar a usar permanente. Até aí desconhecia termos como transição e BC e não imaginava que poderia viver uma vida sem química. 


Você sentiu ou sente dificuldades na transição?
Para enfrentar o período da transição optei em usar o mega fácil, assim poderia cuidar do meu cabelo enquanto ele ia crescendo e não precisaria passar pela dificuldade de lidar com duas texturas de cabelo. Essa técnica me ajudou bastante, porém com 1 ano de cabelo crescido o mega já não arrumava tão fácil. Aí com a ajuda das redes sociais já acompanhava todo movimento de transição capilar que vinha acontecendo a nível nacional e fiquei muito feliz em saber que não estava sozinha. Meu grande desafio agora era enfrentar o BC e já pensava (só pensava) e não dar nenhuma química para conhecer melhor o meu cabelo e depois resolver o que fazer. Aí com 1 ano e 4 meses de transição criei coragem e fiz o BC.

Quais descobertas você fez sobre seu cabelo e sobre você?
Eu descobri que tinha o cabelo que passei a vida inteira sonhando e desejando ter um dia!
Eu descobri a minha essência!
Como era sua relação com seu cabelo? E como é essa relação atualmente?
Frustração acho que é essa a palavra. Hoje é uma relação de cuidado e muito amor!
Quais produtos mais te ajudaram ou ajudam? Quais são seus produtos favoritos?
Ainda não experimentei muitos produtos, a linha Deva Curl foi a primeira que usei logo após o BC, achei perfeita! E tenho experimentado algumas receitas caseiras com produtos naturais para hidratação. Ah! Também já experimentei o casulão e o milagre, achei o efeito dos dois muito parecidos. Assim, prefiro o casulão que é mais barato.



Como ficou sua autoestima depois da transição?
Confesso que sair do salão temerosa. O problema agora era o tamanho. “ Rezar para que ele cresça logo” era o que eu vivia dizendo nas primeiras semanas. Hoje com 3 meses de BC estou super feliz com o meu cabelo, estou realizada e curtindo cada fase dele (tô até achando que está crescendo muito rápido... rsrs).
Qual a pior frase que você ouviu / ouve desde que deixou de assumiu o seu cabelo natural?
Não houve.

Você deixaria algum conselho para outras mulheres, considerando sua experiência capilar?

Se já despertou esse desejo comece agora! Nas redes sociais tem muita ajuda, dicas, relatos. Acho muito bom acompanhar as histórias de quem já conseguiu, acho que inspira!
Força, foco e fé! É isso!

Lindo esse relato, não é meninas? A Tyna ainda deixou uma frase que a inspirou durante a transição: "Quando uma mulher muda o cabelo, ela pretende mudar de vida." - Coco Chanel.

Não tem como não se identificar e perceber o quanto é uma revolução pessoal encarar a transição e vencê-la. É muito além de mudar o cabelo. É decidir que há um outro caminho de amor e cuidado que resultam na descoberta de sua própria identidade.
Inspirem-se! 

Muito obrigada, Tyna! Obrigada por sua dedicação e tempo em conceder a entrevista e parabéns por todo seu processo! O resultado ficou lindo e com certeza te faz cada dia mais feliz!

Querem enviar seus relatos? Entrem em contato comigo através do nosso e-mail: quelindezamenina@gmail.com
Beijocas, lindezas! Em breve voltamos com mais uma entrevista.

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4 comentários

  1. Parabens amiga ! acompanhei todas as suas fase e digo de longe que está foi a melhor...espero logo, logo encontrar felicidade depois do período de transição ...Aff que este tempo voe !

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    1. Com certeza vai ser recompensador termninar sua transição! Precisando de qualquer coisa pode contar com a gente! Beijocas e obrigada pela visita!

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  2. Prbns pela volta dos cachos.

    Há quase um ano comecei a transição, mas ainda está sendo dificil para eu,
    não somente essas fases complicadas da transição, mas ainda porque não me aceitei
    com a ideia de voltar aos cabelos naturais. Você deve está perguntando "então porque você vai voltar?",
    estou voltando tão somente porque meus cabelos estão muito fragilizados, pois por questões financeiras
    não posso continuar o tratamento. Outra questão também é que não tenho cabelos cacheados como das meninas
    que passam pela transição, meu cabelo é muito volumoso, sem forma, então ao pensar que voltarei a ter que
    usar amarrado porque é bem impossivel de deixa-lo solto bate uma tristeza. Se ao menos meus cabelos fossem
    cacheados a chances de eu ter feito um alisamento eram bem pequenas, no entanto, foi a melhor solução que
    encontrei para enfim, deixa-lo solto e amei. Por fim, terei que me acostumar novamente com essa "juba de leão"
    volumosa e sem forma, até encontrar uma solução viavel e acessível .

    Prbns pelo blog, acompanharei mais sobra as transições das meninas...
    Ps: Ja foi publicado a transição de alguma menina que não tem/tinhas cabelos cacheados?

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    1. Oi, flor! Fico muiot feliz que a entrevista a tenha inspirado. Fiquei muito emocionada em conhecer um pouco da sua história. Quanto à você começar a sua transição, eu considero que esse é um grande passo para você começar a mudar o jeito como se vê. Seus cabelos podem e serão recuperados com cuidados e carinho. Sobre a definição ( cachos perfeitamente enroladinhos), não deixe que isso a faça desistir. Os cabelos com hidratação, nutrição e reconstrução podem apresentar muita melhora no aspecto, mesmo aqueles cabelos que são naturalmente ressecados. Agora o meu conselho é você não sair da ditadura do liso e entrar na ditadura dos cachos perfeitos. O cabelo tem uma textura própria e cada uma de nós vai ter os fios como eles são. E não há nada ruim nisso. É uma característica só nossa. A nossa jubinha tem que ser muito amada como ela é. E tenho certeza de você vai gostar muito. O volume não é um problema, assim como o frizz também não. Dá para viver bem com isso. Continue acompanhando as postagens que estamos convidando meninas com todas as texturas de crespos e cachos para darem seus depoimentos. E no que puder ajudar, estaremos sempre aqui! Vou fazer um post especial sobre o que você trouxe para nós! Beijoquinhas e obrigada pela visita!

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